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 Sergio Gomes
 Instituto de Medicina Social
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 Blog do Psicologo Clínico Sergio Gomes


 
Blog dos leitores de Jurandir Freire Costa


Psicanálise e Pragmatismo Linguistico

Prezados colegas, estamos formando aqui no Rio de Janeiro, um grupo de estudo em psicanálise e pragmatismo linguistico, retomando o pensamento do psicanalista JURANDIR FREIRE COSTA, a partir de seus textos sobre o tema. Maiores informações serão dadas neste blog, a partir da segunda semana de outubro. Abraços a todos. Sergio Gomes

Escrito por jfreirecosta às 07h51
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As conseqüências da ética democrática (por Sergio Gomes)

Discussão sobre o texto "A ética democrática e seus inimigos: o lado privado da violência pública" de Jurandir Freire Costa In: Nascimento, Elimar Pinheiro do (org.). Brasília: capital do debate - o século XXI - Ética. Rio de Janeiro/Brasília: Garamond/Codeplan, 1997, pp. 67-86.

 

Nesse texto, Jurandir Freire começa afirmando que, em geral, quando falamos de violência, pensamos de antemão no uso da força com vistas à exclusão de grupos ou indivíduos em relação a uma dada situação de poder, cuja violência pode ou não encontrar a resistência dos excluídos.

O ponto nodal do texto, poderia ser o uso e abuso do poder por parte da maioria. Mas questiona-se, qual maioria? A força policial? A força militar? A força dos governantes? O uso das armas de fogo?

De modo algum. O objetivo de Jurandir Freire é analisar a violência  a partir do sujeito que faz parte da chamada “elite”. A escolha não é sem razão: primeiro porque as elites, como um todo, têm força e poder de criar novas mentalidades, monopolizando a maior parte das riquezas do país e instrumentos de normatização de comportamentos. Em segundo lugar, diz Jurandir, as elites podem ser compreendidas dentro do seu hábito cultural, revelando o modo como se subjetivam e interpretam seus papéis na cultura vigente.

Desse prisma, são as elites, no entender do autor, que reforçam dois pensamentos: a idéia do alheamento do outro e a de irresponsabilidade em relação a si mesma.

No que concerne ao alheamento do outro, refere-se a capacidade que temos de tornar o outro como um estranho. Mais do que isso! Segundo o autor  o alheamento do outro consiste “numa atitude de distanciamento, na qual a hostilidade ou o vivido persecutório são substituiídos pela desqualificação do sujeito enquanto ser moral. Desqualificar moralmente o outro significa não vê-lo como um agente autônomo e criador potencial de normas éticas, ou como um parceiro na obediência à leis partilhadas e consentidas, ou, por fim, como alguém que deve ser respeitado em sua integridade física e moral” (p. 70).

Ou seja, o agente da violência, no estado de alheamento, não tem consciência da qualidade violenta pelos seus atos, e inspira aquilo que o filósofo Richard Rorty definiu como sendo “crueldade”, que é a capacidade de infligir ao outro o seu poder e a sua força, sem se colocar no lugar dele. Dito de outro modo, e retomando Hannah Arendt, o alheamento do outro nada mais é do que a manifestação concreta do que a filósofa definiu como sendo a banalidade do mal.

É desse prisma que Jurandir Freire vai compreender o papel das elites na atual sociedade brasileira, ou seja, um grupo que não consegue enxergar a forma como despreza seus semelhantes, tratando-os como resíduo societário inabsorvível. O preço a pagar pelas elites, segundo o autor, é a forma como hoje encontra-se as grandes e pequenas metrópolis com suas vias crucis urbanas: meninos de rua, tráfico de drogas, seqüestros, desemprego, fome, aumento considerável de moradores de rua, além do consumo de drogas legais e ilegais, estupros, assassinatos, etc., reforçando o trinômio “sexo, drogas e credit card”. É essa, segundo a tese do autor, a irresponsabilidade das elites nas sociedades contemporâneas.

O texto que lemos, "A ética democrática e seus inimigos", é de 1997. Dez mais mais tarde, o tema da violência será retomado por Jurandir sob o ponto de vista da transcendência a partir de dois pontos distintos: um é a questão do perdão e o outro é a questão da promessa [iremos retomar essa discussão nos próximos encontros do grupo de estudo]. Por hora, vale ressaltar que Jurandir vai propor uma nova tese no que refere-se à violência, definindo-a como a incapacidade de prometer e de perdoar em um texto publicado recentemente em 2007 e tema de palestras de Jurandir. Cito o autor: “a violência é tudo que nos faz perder a confiança no outro, e, por conseguinte, nos impede de exercer o poder de prometer e perdoar" (Transcendência e Violência, 2007, p. 8) [Texto disponível no site do autor]. Seria esse o novo "elan vital" no qual se ampara agora as elites?



Escrito por jfreirecosta às 08h36
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GRUPO DE ESTUDO JFREIRECOSTA

TEXTO 2: A ética democrática e seus inimigos: o lado privado da violência pública In: Nascimento, Elimar Pinheiro do (org.). Brasília: capital do debate - o século XXI - Ética. Rio de Janeiro/Brasília: Garamond/Codeplan, 1997, pp. 67-86.

 

Disponível em http://jfreirecosta.sites.uol.com.br/artigos/artigos_html/etica_democratica.html

 

Período de leitura: De 24 de novembro a 07 de dezembro de 2007.

 

Período para discussão: De 08 a 22  de dezembro de 2007.

 

Sugestão: Assistir o vídeo "ÉTICA X INDIFERENÇA" do Programa Ser ou Não Ser.

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO.

 

Período de recesso: De 23 de dezembro a 04 de Janeiro

 

Retorno do Grupo de Estudos: 05 de Janeiro de 2008



Escrito por jfreirecosta às 11h51
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O inconsciente é ineducável (por Sergio Gomes)

Discussão sobre o texto:

“Psicoterapia breve: uma abordagem psicanalítica”, de Jurandir Freire Costa

Nesse texto Jurandir Freire objetiva discutir as diferenças entre psicoterapia breve e psicanálise.

Tomando a primeira como referência da segunda, ele vai explorar essas diferenças a partir dos objetivos psicoterapêuticos, no que compete à metapsicologia (teorias) e técnicas – dito de outro modo, a cura psicanalítica e a cura psicoterápica.

Duas correntes se distinguem nesse sentido.

Na primeira, observa-se os limites da psicanálise e das psicoterapias no atendimento a pacientes psicóticos, crianças e caracteriais, reafirmando que “tanto nas psicoses de adultos quanto na psicopatologia infantil, a fragilidade do ego impedia alianças psicoteraêuticas e o surgimento da transferência”, mola mestra de um processo analítico.

A segunda corrente parte de uma meta específica no tratamento psicoterápico, ou seja, “educar socialmente os indivíduos, manejar tensões de grupos, esclarecer a relação médico-paciente”. A cura, portanto, fica em segundo plano, afirma Jurandir Freire.

As intervenções de psiquiatras e pedagogos, que se utilizavam da psicoterapia, visavam maior eficiência pedagógica e maior produtividade social. Portanto, a psicoterapia tinha como objetivo uma estratégia educativa e sociabilizante.

As psicoterapias breves, nesse sentido, surgiram para resolver problemas de atendimento psiquiátrico de massa.

Lembre-se que nesta época, o autor já trabalhava com pacientes psiquiátricos. O presente texto, é de 1978, e 10 anos depois ele iria publicar “Psicanálise e Contexto Cultural: imaginário, grupos e psicoterapias”, resultante de seu trabalho no Hospital Pedro II, trabalhando com pacientes psiquiátricos, com abordagem psicanalítica.

Retomando as discussões promovidas pelo argentino Hector Fiorini no livro “Teoria e técnica de psicoterapias”, que na época, segundo Jurandir Freire, era um dos mais sóbrios sobre o assunto, ele passa a apresentar suas teses e discuti-las à luz da psicanálise.

Sua principal crítica é quanto o objetivo psicanalítico enquanto “ciência da conduta”, ou seja, aquela que abandonaria progressivamente a realidade psíquica para intervir, de modo crescente, na realidade consciente e social do paciente.

A psicanálise não é isenta de intervenção. Freud já afirmava isso em seu texto “Análise terminável e análise interminável”, porém, afirmava Freud, o tratamento estaria acabado quando 1) ou o paciente e analista parassem de se encontrar ou 2) quando houvesse a cura do paciente. Lembremos, pois que, cura aqui tem um sentido diferente do que é entendido pelo conceito médico. Em psicanálise, cura  é diminuição de sintoma, consciência do material recalcado que originou o sintoma e, conseqüentemente, diminuição da angústia do paciente.

O inconsciente, diz Jurandir, não é educável, portanto, é impossível uma ação pedagógica do analista no inconsciente de seu paciente. Mais do que isso, falar em pedagogia terapêutica e ou terapêutica pedagógica para um paciente em análise, torna-se um contra-senso.

A psicoterapia breve e a psicanálise, enfim, não se configuram como “superficial” por um lado, nem “profunda” por outro. A escolha tecno-teórica de uma abordagem psicoterápica, vai depender do paciente e da sua demanda clínica, do seu diagnóstico e dos limites de ambas as técnicas.



Escrito por jfreirecosta às 19h44
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O Psicanalista Jurandir Freire Costa participa nesta quarta-feira, dia 14 de Novembro

do evento: "PUC PELA PAZ" - A Universidade a Serviço da Sociedade

Um evento de toda a Comunidade PUC  em favor da Paz!, na PUC-RIO,

que acontece no período de 12 a 14 de Novembro de 2007:

 

PAINEL 5 - EU CONSTRUINDO A PAZ

Data: 14.11.2007, QUARTA-FEIRA, 10 às 12 h

 

Painelistas:

 

1) Andréa Mendonça Paiva – Coordenadora Nacional das Escolas de Perdão e Reconciliação

2) Dr. Jurandir Freire Costa - Psicanalista

3) Luiz Eduardo Soares – Secretário de Segurança de Nova Iguaçu

 

Moderadora: Profa. Eduarda Hamann – IRI – PUC-Rio12 a 14 de novembro de 2007

 

Local: Campus da PUC-RIO (pilotis, auditórios, anfiteatro, ao ar livre)

 

Para saber mais do evento, clique no link abaixo

http://www.puc-rio.br/noticias/nce_pucpelapaz.html

 



Escrito por jfreirecosta às 14h24
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EDITORA GARAMOND LANÇA O LIVRO "O RISCO DE CADA UM"

Este livro reúne ensaios que confirmam a importância e a fecundidade das reflexões de Jurandir Freire Costa. Escritos no estilo elegante que caracteriza o autor, os textos (sobre linguagem, religião, literatura, sentido, cérebro, indagação filosófica e tantos outros assuntos, a partir, naturalmente, da psicanálise) cumprem a difícil condição de unir profundidade no pensamento e clareza na expressão.

Aqui, mais uma vez Jurandir Freire se debruça sobre as grandes questões do nosso tempo à luz das questões permanentes da condição humana. Os ensaios, diz o autor, “foram escritos em épocas diversas e com diversos propósitos. Alguns são mais técnicos e, para serem lidos com proveito, requerem familiaridade com a teoria psicanalítica; outros abordam temas culturais e podem ser entendidos, sem maiores dificuldades, pelo público leigo. Todos, contudo, têm um só intuito, o de enriquecer o debate sobre as formas de subjetivação”.

Vários dos capítulos são frutos de suas pesquisas em andamento, em torno da relação entre sujeito e transcendência. Partindo da idéia de que as hierarquias simbólicas tradicionais são regidas pela moral do sacrifício, Jurandir Freire aborda idéias como fé religiosa, dívida simbólica, criatividade, ética, desamparo, culpa e transgressão em autores como Freud, Nietzsche, Bergson e William James, pedindo apoio ao que chama de “espectros de Winnicott” para propor uma visada inovadora da constituição do sujeito humano. Como pano de fundo, o compromisso ético que permeia toda a sua obra.

Garamond confirma lançamento de "O Risco de Cada Um" esta semana, dia 13 de Novembro de 2007 em todas as livrarias do país.

 Clique aqui e leia a introdução do livro "O risco de cada um". Senha de acesso: jfreirecosta



Escrito por jfreirecosta às 23h53
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LANÇAMENTO

 

EDITORA GARAMOND RE-LANÇA O LIVRO "HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA NO BRASIL"

Esgotada desde 1986, a História da Psiquiatria no Brasil é a obra inaugural de Jurandir Freire, originalmente apresentada como trabalho de pós-graduação, em 1974, à École Pratique des Hautes Études de Paris, e publicada pela primeira vez no Brasil em 1976.

Esta quinta edição, relançada agora pela Garamond, conserva a mesma relevância: além de reproduzir fatos e documentos de difícil acesso sobre os primórdios da nossa saúde mental, demonstra, num exercício de “história conceitual”, como as chamadas idéias “científicas” nesse campo são estreitamente dependentes do contexto cultural que as legitima. 

A obra mostra como os psiquiatras da Liga criaram doutrinas que, a partir da conceituação de uma suposta “natureza humana”, não passavam de expressões de seus próprios preconceitos ideológicos – racismo, xenofobia, moralismo – e das idéias dominantes em seu tempo. Matéria de reflexão imprescindível para todos os que lidam, na clínica e na teoria, com as questões da saúde mental.

Garamond confirma relançamento do livro "História da Psiquiatria no Brasil" para esta semana, dia 13 de Novembro de 2007 em todas as livrarias do país.



Escrito por jfreirecosta às 23h51
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GRUPO DE ESTUDOS JFREIRECOSTA

APENAS PARA LEMBRAR:

 

TEXTO 1: Psicoterapia breve: uma abordagem psicanalítica (1978) – Disponível na seção ARTIGOS, do site http://jfreirecosta.sites.uol.com.br (clique no nome do arquivo, se desejar acessá-lo diratamente do disco virtual do site - senha de acesso: jfreirecosta )

 

Sugestão de texto suporte (não é obrigatório a leitura): Sigmund Freud. Análise terminável e análise interminável. Obras Completas. Vol. XXIII.

 

Período de leitura: De 10 a 16 de novembro de novembro de 2007.

 

Período para discussão: De 17 a 23  de novembro de 2007.



Escrito por jfreirecosta às 22h52
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Gente, acho que eu consegui chegar também! Que confusão! Depois de atravessar desertos e mares, cá estou!

Escrito por Iara Pereira às 14h43
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Esse blog é secretíssimo...passei por umas 4 ou 5 portas até entrar....ufa! cheguei....

Escrito por Myrian Lemos às 18h15
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GRUPO DE ESTUDO JFREIRECOSTA

OBJETIVO DO GRUPO: Discutir artigos e livros do psicanalista Jurandir Freire Costa na sua perspectiva histórica, teórica e crítica.

O grupo de estudo virtual é totalmente aberto a todo aquele que quiser participar.

 

A dinâmica do grupo funciona da seguinte forma:

 

Um texto (dos que se encontram no site do psicanalista) é escolhido para estudo durante 10 ou mais dias, dependendo do número de páginas. Outros textos de suporte podem ser sugeridos e indicados para auxiliar na leitura principal do tema.

 

O grupo é informado através do BLOG, do site e por email do período que tem para ler o texto e das datas para discussão.

 

A partir de uma data estipulada o grupo passa a discutir o texto durante 10 dias, nesse espaço do BLOG.

 

Questões, dúvidas e sugestões são totalmente compartilhadas pelo grupo, coordenado pelo Editor do Site do psicanalista, o Psicólogo Clínico Sergio Gomes.

 

Para participar do grupo basta informar o seu email, ler o texto disponível e dialogar com o grupo dentro do espaço do BLOG, escrevendo suas impressões do texto, suas duvidas, suas críticas, sua opinião, etc. em "COMENTE", logo abaixo.

 

Não serão toleradas ofensas pessoais ou  ataques ofensivos a qualquer participante do grupo, palavras de insulto ou conteúdo paralelo que não tenha a ver com o objetivo do grupo tais como correntes via email, propaganda de produtos diversos ou de sites pornográficos.

 

TEXTO 1: Psicoterapia breve: uma abordagem psicanalítica (1978) – Disponível na seção ARTIGOS, do site http://jfreirecosta.sites.uol.com.br (clique no nome do arquivo, se desejar acessá-lo diratamente do disco virtual do site - senha de acesso: jfreirecosta )

 

Sugestão de texto suporte (não é obrigatório a leitura): Sigmund Freud. Análise terminável e análise interminável. Obras Completas. Vol. XXIII.

 

Período de leitura: De 10 a 16 de novembro de novembro de 2007.

 

Período para discussão: De 17 a 23  de novembro de 2007.

 



Escrito por jfreirecosta às 08h16
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XIV ENCONTRO NACIONAL DA ABRAPSO

Jurandir Freire Costa ministrou a palestra "Violência e Transcendência" no dia 03 de Novembro de 2007 no XIV ENCONTRO NACIONAL DA ABRAPSO, ocorrido no período de 31 de Outubro a 03 de Novembro de 2007, na UERJ - Campus Maracanã. Informações sobre o encontro através do site http://www.abrapso.org.br 



Escrito por jfreirecosta às 08h15
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COLÓQUIO INTERNACIONAL HENRY BERGSON

Jurandir Freire Costa faz palestra na abertura do Colóquio Internacional Henry Bergson, que ocorre no período de 07 a 09 de Novembro de 2007, no auditório 11 da UERJ - Campus Maracanã, das 19 às 21h, com o títuto "Moral e memória, Bergson no mundo de Philip K. Dick".

 

Inscrições através do site  http://www.filoeduc.org/bergson

 



Escrito por jfreirecosta às 23h44
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HORIZONTES DA CURA NA PSICOSE

Lançamento do livro "Psicoses: aberturas da clinica", da Associação Psicanalítica de Porto Alegre .

Palestra com Jurandir Freire Costa intitulada "Horizontes da cura na psicose".

Data: Quinta-feira, dia 20 de setembro de 2007.

Hora: às 20h

Local: Livraria Argumento - Rua Dias ferreira, 417, no Leblon.

Jurandir Freire assina o Prefácio .



Escrito por jfreirecosta às 08h07
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WINICOTT E SEUS INTERLOCUTORES

Se tivesse que resumir o cerne desta coletânea organizada por Benilton Bezerra Jr. e Francisco Ortega, diria, sem hesitar, que ele é um fantasma, um “espectro de Winnicott”.

Espectro é uma noção criada por Derrida para se referir à retomada inovadora das teses de pensadores que contiuam a falar para o tempo presente e para o sujeito do presente. Dialogar com o espectro de Winnicott, porém, não é descansar à sombra de sua potência intelectual, clonando preguiçosamente suas idéias; é fazer o luto – no sentido freudiano – do que ele concebeu. Ou seja, é apropriar-se, de forma singular, de seu legado. Deste aspecto, a tarefa foi cumprida. Cada um dos comentaristas recria “seu Winnicott”, valendo-se, sobretudo, da estratégia expositiva que consiste em cotejá-lo com outros gigantes dos estudos sobre a subjetividade.

Em linhas gerais, penso que a orientação dos textos volta-se para o que chamo de “virada subjetiva”. Por virada entendo o movimento teórico que busca deslocar a reflexão sobre a gênese e o funcionamento da subjetividade em uma dupla direção: a) da ênfase no sujeito como “interioridade” cartesiana, inextensa, etérea e auto-suficiente para a compreensão da subjetividade como evento corporalmente encarnado às voltas com as intimações ou chamados do Outro lingüístico, físico, ambiental, vital, presencial, Real etc.; b) da ênfase no sujeito senciente, passivo, reativo, cuja realidade psíquica seria formada por traços mnésicos ou representações de imagens, sensações, sentimentos e narrativas de si para o sujeito agente, originalmente normativo e valorativo, que utiliza o entorno como um terreno de oportunidade para ações, experimentos, em suma, como lócus de criação de necessidades e objetos de necessidade, de desejos e objetos de desejo.

À primeira vista, é possível que tudo isso pareça um rol de esquisitices embaladas em mais um pacote indigesto de esoterismo acadêmico. Puro engano. A síntese que propus, de fato, tenta parafrasear sem falsificar a densidade do que foi dito, donde o caráter compacto e elíptico de idéias que, apreciadas com tempo e disponibilidade, são acessíveis a quem tiver interesse pelo assunto. Especialistas ou não, somos todos afetados em nossas vidas psicológicas pelo que é discutido neste livro, que é um belo exemplo de sobriedade, honestidade, competência e criatividade intelectuais.

Concluindo, uma publicação que faz jus à grandeza do espectro de Winnicott, ao esforço bem-sucedido dos autores e à inteligência de seus eventuais leitores.

Jurandir Freire Costa

Texto da orelha do livro "Winnicott e seus interlocutores"

 

 



Escrito por jfreirecosta às 08h54
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